O salão permaneceu em silêncio.
As últimas palavras de Elior ainda ecoavam na mente de Joe.
— Eles estão chegando.
Joe olhou novamente para a imagem suspensa no centro da esfera.
A imensa região escura desapareceu lentamente.
As estrelas voltaram a brilhar.
Mesmo assim...
Algo havia mudado.
Pela primeira vez, Joe viu medo nos olhos dos Anciãos.
Se até aquela civilização temia alguma coisa...
O Universo era muito maior do que imaginara.
Elior aproximou-se.
— Hoje você conhece apenas uma parte da verdade.
Joe respirou fundo.
— Então... quem são, afinal, os Observadores?
O ancião sorriu.
— Nós os chamamos de Observadores porque foi assim que os primeiros mundos os conheceram.
— Eles não governam.
— Não conquistam.
— Não impõem.
— Apenas observam.
Joe permaneceu atento.
— Há milhões de anos, quando uma civilização alcança determinado estágio de desenvolvimento, eles aparecem.
— Nunca antes.
— Nunca depois.
— Apenas no momento da escolha.
A esfera mostrou centenas de planetas.
Alguns brilhavam intensamente.
Outros estavam completamente escuros.
— Alguns escolheram cooperar.
— Outros escolheram a guerra.
Os mundos escuros desapareceram um a um.
Joe compreendeu.
— Eles foram destruídos...
— Não pelos Observadores.
Responderam os doze anciãos ao mesmo tempo.
— Por eles próprios.
Um silêncio profundo tomou conta do salão.
Então Elior mostrou outra imagem.
A Terra.
As cidades.
As guerras.
As redes de comunicação.
Os satélites.
As divisões.
Mas também...
Hospitais.
Famílias.
Crianças.
Pessoas ajudando pessoas.
Esperança.
— A humanidade ainda pode escolher.
Joe fechou os olhos.
Pela primeira vez sentiu esperança.
Na praça central de Kodeshipur, milhares de pessoas reuniram-se.
Entre elas...
Maria.
José.
André.
E todos aqueles considerados desaparecidos pela Terra.
Eles sorriam.
Não eram prisioneiros.
Eram cidadãos.
Maria caminhou até Joe.
Sem dizer uma palavra, abraçou-o.
Joe sorriu.
— Achei que nunca mais fosse vê-la.
— Nós também pensamos isso.
Ela olhou para a cidade.
— Mas entendemos que ninguém foi escolhido por ser melhor.
Fomos escolhidos porque alguém precisava aprender primeiro.
Joe perguntou:
— Vocês vão voltar?
Maria observou o céu.
— Alguns voltarão.
Outros permanecerão aqui.
Cada pessoa terá liberdade para decidir.
Joe percebeu que aquela palavra era repetida o tempo todo.
Escolha.
Nenhuma imposição.
Nenhuma obrigação.
Dias depois...
Uma esfera prateada aguardava Joe na plataforma de embarque.
Elior aproximou-se pela última vez.
— Está preparado?
Joe respondeu sem hesitar.
— Não.
Os dois sorriram.
— Então está pronto.
Joe riu pela primeira vez desde que chegara à estação espacial.
A esfera atravessou o espaço.
Nenhum ruído.
Nenhuma aceleração.
Apenas luz.
Poucos segundos depois...
A Terra apareceu diante dele.
As esferas prateadas já flutuavam silenciosamente sobre todas as capitais do planeta.
Não havia ataques.
Não havia destruição.
Apenas expectativa.
Os governos aguardavam.
Os cientistas aguardavam.
As religiões aguardavam.
O mundo inteiro aguardava.
Joe respirou profundamente.
Sabia o que precisava fazer.
Na sede das Nações Unidas, uma transmissão foi iniciada simultaneamente para todo o planeta.
Mais de oito bilhões de pessoas assistiam.
Joe entrou lentamente no auditório.
Ninguém disse uma palavra.
Ele olhou diretamente para as câmeras.
Depois de alguns segundos de silêncio, começou:
— Meu nome é Joseph Carter Ferreira.
Há alguns meses fui considerado desaparecido.
Hoje retorno para dizer que não estamos sozinhos.
As imagens de Kodeshipur apareceram atrás dele.
O planeta inteiro permaneceu imóvel.
Joe continuou.
— Eles não vieram conquistar a Terra.
Vieram oferecer um convite.
Um novo capítulo da história da humanidade começa hoje.
Cada povo...
Cada nação...
Cada pessoa...
Poderá decidir seu próprio caminho.
Ninguém será obrigado.
Ninguém será abandonado.
O futuro continuará sendo uma escolha.
As últimas palavras foram acompanhadas pelo surgimento das esferas luminosas nos céus de todo o planeta.
Pela primeira vez...
Não provocavam medo.
Provocavam esperança.
Muito distante dali...
No Conselho dos Anciãos...
Os doze observavam o Universo.
Nenhum dizia uma palavra.
Então Elior levantou lentamente a cabeça.
Uma pequena luz surgiu na região escura do espaço.
Depois outra.
E outra.
Como se inúmeras estrelas estivessem despertando ao mesmo tempo.
A anciã Lira falou em voz baixa:
— Eles perceberam.
Outro respondeu:
— O tempo de preparação terminou.
Elior fechou os olhos.
— Agora começa o Êxodo.
A esfera no centro do salão apagou lentamente.
A última imagem mostrada não era a Terra.
Nem Kodeshipur.
Era um jovem caminhando sozinho por uma estrada, carregando apenas uma mochila e olhando para um céu repleto de estrelas.
Seu nome ainda era desconhecido.
Mas seu destino já havia começado.
FIM
O ENIGMA DA ESTAÇÃO ESPACIAL
Uma história sobre escolhas, esperança e o primeiro passo da humanidade rumo ao desconhecido.
Epílogo
Algumas histórias terminam quando todas as respostas são encontradas.
Outras terminam quando surge a pergunta certa.
A humanidade descobriu que não estava sozinha.
Mas ainda ignorava quem havia construído as primeiras cidades.
Quem criou os Observadores.
E quem eram aqueles que conseguiam observar até mesmo os Observadores.
Essas respostas permaneciam escondidas nas regiões mais antigas do Universo.
Enquanto a Terra se preparava para uma nova era...
Alguém já caminhava em direção ao seu verdadeiro destino.
Continua em...
PROJETO ÊXODO
"Toda jornada começa quando alguém aceita o convite para partir."
Capítulo 11 - O Conselho dos Anciãos de Kodeshipur
Capítulo 10 - A Primeira Cidade
Capítulo 09 - O Contato
Capítulo 08 - Os Desaparecidos
Capítulo 07 - O Despertar dos Observadores
Capítulo 06 - Os Observadores
Capítulo 05 - A Sala 17
Capítulo 04 - O Projeto HELLO
Capítulo 03 - A Jornalista e os Arquivos Secretos
Capítulo 02 - A Mensagem de Marte
Capítulo 01 - O Homem do Banco da Praça

Comentários
Postar um comentário