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O Enigma da Estação Espacial: Capítulo 6 – Os Observadores

Três segundos.

Na Terra, foram apenas três segundos.

Para Maya, Sophia, Kaito e Samuel, a transmissão desapareceu por um instante.

Quando voltou...

Joe já não estava diante da porta.

Restava apenas uma única mensagem na tela.

WELCOME BACK.

Ninguém compreendeu seu significado.

Mas, para Joe...

Não existiram três segundos.

O tempo simplesmente deixou de existir.

Não houve queda.

Não houve clarão.

Não houve sensação de movimento.

Apenas um vazio absoluto.

Joe tentou recordar o instante em que atravessou a porta da Sala 17.

Não conseguiu.

Era como se aquele momento tivesse sido apagado de sua memória.

Quando abriu os olhos, percebeu que não estava mais na estação espacial.

Também não parecia estar em nenhum lugar conhecido.

O ambiente era imenso.

Silencioso.

As paredes pareciam vivas.

Não havia emendas, parafusos ou qualquer sinal de construção.

Tudo parecia ter nascido naturalmente.

Uma luz branca e suave iluminava o salão sem que existisse qualquer lâmpada.

Joe deu alguns passos.

Seu reflexo não aparecia no chão.

Nem sua sombra.

Como se aquele lugar obedecesse a leis diferentes das conhecidas pela física.

Foi então que percebeu algo.

No centro do enorme salão repousava uma esfera metálica.

Prateada.

Perfeitamente lisa.

Exatamente igual à que havia saído do misterioso objeto negro.

Ela permaneceu imóvel durante alguns segundos.

Depois começou a girar lentamente.

Sem produzir qualquer ruído.

Ao seu redor surgiram milhares de pequenos pontos luminosos.

Joe imaginou estar vendo estrelas.

Mas logo percebeu que eram imagens.

Milhões delas.

Como páginas de uma biblioteca infinita.

A primeira mostrava a Terra ainda em formação.

Oceanos de lava.

Tempestades gigantescas.

Milhões de anos passaram diante de seus olhos em poucos segundos.

Vieram os primeiros oceanos.

Os continentes.

Florestas.

Dinossauros.

Depois...

O impacto de um enorme asteroide.

A extinção.

Novamente o tempo acelerou.

Os primeiros seres humanos apareceram.

Tribalismo.

Fogueiras.

Pinturas rupestres.

As primeiras aldeias.

Os primeiros templos.

As primeiras cidades.

Joe começou a perceber um detalhe perturbador.

Em todas as épocas...

Sempre existia uma pequena esfera prateada.

Às vezes quase invisível.

No alto do céu.

Em outras ocasiões escondida entre montanhas.

Ou repousando silenciosamente sobre uma colina distante.

Nunca atacava.

Nunca interferia.

Apenas observava.

Joe aproximou-se lentamente.

— Quem são vocês?

Nenhuma voz respondeu.

Mas a esfera mudou novamente.

Agora mostrava diferentes civilizações.

Pirâmides.

Templos.

Monumentos.

Construções espalhadas pelos continentes.

Todas possuíam discretamente o mesmo símbolo gravado na porta da Sala 17.

Joe sentiu um arrepio.

Aquilo não podia ser coincidência.

As imagens desapareceram.

Em seu lugar surgiu um mapa da Terra.

Centenas de pontos brilhavam.

Linhas invisíveis uniam antigas civilizações.

Era como se todas fizessem parte de um único projeto.

Uma única rede.

Muito mais antiga do que qualquer registro histórico conhecido.

De repente...

Tudo escureceu.

Uma única frase apareceu diante dele.

QUEM OBSERVA OS OBSERVADORES?

Joe permaneceu imóvel.

Antes que pudesse pensar em uma resposta, o mapa desapareceu.

Agora via outro planeta.

Um mundo azul-esverdeado iluminado por duas estrelas.

Gigantescas cidades flutuavam sobre oceanos cristalinos.

Montanhas brilhavam como se fossem feitas de vidro.

Era um planeta extraordinário.

Mas havia algo profundamente inquietante.

Não existia ninguém.

As cidades estavam vazias.

Como se tivessem sido abandonadas havia milhares de anos.

Uma nova mensagem surgiu.

NÓS NÃO SOMOS OS PRIMEIROS.

Segundos depois...

Outra.

NEM OS ÚLTIMOS.

Joe fechou os olhos por um instante.

Uma dor intensa atravessou sua cabeça.

Então surgiram imagens que não faziam sentido.

Uma criança correndo por uma praia de areia azul.

Duas luas iluminando o céu.

Uma mulher ajoelhada diante dele.

Ela sorria.

Sua voz era serena.

— Você prometeu que voltaria.

Joe abriu os olhos assustado.

Nunca havia visto aquela mulher.

Nunca estivera naquele lugar.

Então por que aquela lembrança parecia tão real?

Respirou profundamente.

Tentou afastar aquelas imagens.

Mas outra surgiu.

A mesma esfera prateada.

Desta vez pousada diante dele.

E uma voz.

Muito distante.

Quase um sussurro.

— O ciclo recomeçou.

As imagens desapareceram imediatamente.

Joe caiu de joelhos.

Sentia como se parte de sua própria memória tivesse sido arrancada.

Ou devolvida.

Na Terra, a comunicação voltou inesperadamente.

Durante apenas dois segundos.

Maya congelou a imagem.

Joe aparecia ajoelhado diante da esfera.

Atrás dele havia dezenas de símbolos desconhecidos.

Sophia ampliou um deles.

Samuel perdeu completamente a expressão.

Seu rosto empalideceu.

— Não...

Maya voltou-se para ele.

— O que foi?

Samuel respirou lentamente.

— Esse símbolo...

Ele existe em um documento que foi destruído há mais de quarenta anos.

Ninguém respondeu.

Samuel abriu novamente a antiga pasta do Caso 17.

Na última folha havia um desenho idêntico.

Na parte inferior existia apenas uma anotação manuscrita.

OBSERVADORES

Sophia olhou para Samuel.

— Quem são eles?

Samuel permaneceu em silêncio.

Finalmente respondeu.

— Nunca descobrimos.

Apenas sabíamos que esse nome aparecia sempre que uma esfera era registrada.

Naquele instante, todas as telas da central mudaram novamente.

Sem que ninguém tocasse em qualquer computador.

Uma única mensagem surgiu.

FASE UM CONCLUÍDA.

Logo abaixo apareceu outra.

INICIANDO O DESPERTAR.

No mesmo instante, satélites espalhados ao redor do planeta começaram a registrar centenas de novos objetos.

Esferas prateadas.

Silenciosas.

Imóveis.

Sobre oceanos.

Desertos.

Florestas.

Montanhas.

Grandes cidades.

Não atacavam.

Não transmitiam mensagens.

Não demonstravam qualquer intenção hostil.

Faziam apenas uma coisa.

Observavam.

Como talvez estivessem fazendo desde o início da humanidade.

Mas, pela primeira vez...

Não estavam mais escondidas.

Continua...

Capítulo 7 – O Despertar dos Observadores

"Durante milhares de anos acreditamos procurar vida extraterrestre. Talvez nunca tenhamos percebido que alguém aguardava pacientemente o momento certo para se revelar."

Capítulos anteriores:

Capítulo 5 – A Sala 17
Capítulo 4 – O Projeto HELLO

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