Marcus abriu os olhos de repente. O ronco do motor ainda ecoava em sua cabeça. Por um breve instante, teve a certeza de que continuava sentado na janela de um ônibus. Piscou algumas vezes. O teto branco do quarto surgiu diante dele. A cortina balançava suavemente com o vento da manhã, enquanto a luz do sol desenhava faixas douradas sobre a parede. Estava em casa. Mas seu coração ainda batia no mesmo ritmo acelerado daquela viagem. Fechou os olhos por um instante, tentando afastar as imagens. Não conseguiu. O sonho permanecia vivo. No sonho, ele simplesmente estava ali. Não lembrava de ter embarcado. Não havia motorista. Não havia placas indicando o destino. Havia apenas o movimento constante do ônibus. E um silêncio absoluto. Os passageiros permaneciam imóveis. Ninguém conversava. Ninguém lia. Ninguém olhava pela janela. Era como se todos tivessem aceitado estar ali. Como se viajar fosse a única coisa que soubessem fazer. Marcus aproximou o rosto do vidro. O que viu fez seu corpo intei...
O salão permaneceu em silêncio. As últimas palavras de Elior ainda ecoavam na mente de Joe. — Eles estão chegando. Joe olhou novamente para a imagem suspensa no centro da esfera. A imensa região escura desapareceu lentamente. As estrelas voltaram a brilhar. Mesmo assim... Algo havia mudado. Pela primeira vez, Joe viu medo nos olhos dos Anciãos. Se até aquela civilização temia alguma coisa... O Universo era muito maior do que imaginara. Elior aproximou-se. — Hoje você conhece apenas uma parte da verdade. Joe respirou fundo. — Então... quem são, afinal, os Observadores? O ancião sorriu. — Nós os chamamos de Observadores porque foi assim que os primeiros mundos os conheceram. — Eles não governam. — Não conquistam. — Não impõem. — Apenas observam. Joe permaneceu atento. — Há milhões de anos, quando uma civilização alcança determinado estágio de desenvolvimento, eles aparecem. — Nunca antes. — Nunca depois. — Apenas no momento da escolha. A esfera mostrou centenas de planetas. Alguns brilha...