"Durante milhares de anos acreditamos procurar vida extraterrestre. Talvez nunca tenhamos percebido que alguém aguardava pacientemente o momento certo para se revelar."
Durante as primeiras horas...
Ninguém entrou em pânico.
Porque ninguém acreditou.
As primeiras imagens surgiram nas redes sociais.
Uma esfera imóvel sobre o Oceano Pacífico.
Outra pairando sobre o Deserto do Saara.
Uma terceira sobrevoando lentamente os Andes.
As agências de checagem classificaram tudo como montagens.
Até que os satélites militares divulgaram seus próprios registros.
As coordenadas coincidiam.
As esferas estavam realmente ali.
Silenciosas.
Imóveis.
Como sempre estiveram.
Mas agora...
Visíveis.
Na sede das Nações Unidas...
Representantes de dezenas de países discutiam ao mesmo tempo.
Ninguém possuía respostas.
Os radares funcionavam.
Os sensores térmicos também.
As câmeras registravam perfeitamente sua presença.
Mas nenhuma esfera emitia calor.
Nenhuma produzia radiação.
Nenhuma parecia obedecer às leis conhecidas da aerodinâmica.
Era como observar objetos que simplesmente...
Existiam.
Na estação espacial...
Joe continuava diante da esfera prateada.
O enorme salão permanecia silencioso.
Então...
Pela primeira vez...
Algo aconteceu.
As paredes começaram a pulsar lentamente.
Como um coração.
A esfera elevou-se alguns centímetros.
Ao seu redor surgiram dezenas de outras.
Depois centenas.
Milhares.
Todas absolutamente idênticas.
Giravam em perfeita sincronia.
Joe sentiu uma estranha sensação.
Não era medo.
Era reconhecimento.
Como se aquela cena despertasse uma lembrança esquecida.
Uma voz surgiu.
Não parecia vir de lugar algum.
Nem era exatamente um som.
Era como um pensamento.
— Finalmente...
Você consegue nos ouvir.
Joe permaneceu imóvel.
— Quem são vocês?
A resposta demorou.
— Essa pergunta já foi feita incontáveis vezes.
Joe insistiu.
— São extraterrestres?
A voz respondeu com serenidade.
— Essa palavra pertence apenas à sua espécie.
O silêncio voltou.
Depois...
Outra frase.
— Nós somos os Observadores.
Na Terra...
Sophia examinava cuidadosamente todas as imagens recebidas.
Algo lhe chamou a atenção.
As esferas nunca permaneciam exatamente sobre cidades.
Elas escolhiam lugares específicos.
Montanhas.
Antigos templos.
Ruínas.
Sítios arqueológicos.
Monumentos esquecidos.
Ela abriu um mapa.
Começou a marcar cada localização.
Maya observava.
Poucos minutos depois...
As linhas começaram a surgir.
Samuel aproximou-se lentamente.
Seu rosto perdeu a cor.
As posições formavam exatamente o mesmo símbolo encontrado na Sala 17.
Só que agora...
Em escala planetária.
— Isso não é possível...
murmurou Sophia.
Samuel respondeu quase sem voz.
— Talvez nunca tenha sido um símbolo.
Ela olhou para ele.
— Então o que é?
Samuel fechou os olhos.
— Um mapa.
Enquanto isso...
Em diferentes partes do planeta...
Algo inesperado começou a acontecer.
Pessoas comuns passaram a relatar sonhos idênticos.
Uma praia de areia azul.
Duas luas.
Uma cidade silenciosa.
Uma mulher repetia sempre a mesma frase.
— Está quase na hora.
Psicólogos acreditaram tratar-se de um efeito coletivo provocado pelas notícias.
Até que perceberam um detalhe.
Crianças de diferentes países...
Que nunca haviam tido contato umas com as outras...
Desenhavam exatamente a mesma paisagem.
Joe caminhou lentamente pelo enorme salão.
As milhares de esferas abriram espaço.
Como se o conduzissem.
Ao final do caminho...
Havia uma porta.
Muito maior que a da Sala 17.
Sobre ela...
O mesmo símbolo.
Mas agora incompleto.
Faltava uma pequena parte.
A esfera prateada aproximou-se lentamente.
Encaixou-se na abertura.
O símbolo brilhou.
A porta começou a se mover.
Joe respirou fundo.
Antes que pudesse atravessá-la...
A voz falou novamente.
— Antes de continuar...
Você precisa compreender uma verdade.
Joe aguardou.
— Durante toda a sua história...
Vocês acreditaram que nós observávamos a humanidade.
Nova pausa.
Depois...
— Nunca perceberam...
Que também estavam sendo preparados para observar.
Joe franziu a testa.
— Observar o quê?
Pela primeira vez...
A voz pareceu hesitar.
Então respondeu.
— Aqueles que observam todos nós.
Na Terra...
Todas as esferas desapareceram exatamente no mesmo instante.
Sem luz.
Sem explosões.
Sem movimento.
Apenas...
Deixaram de estar ali.
Os radares ficaram vazios.
As câmeras também.
Os céus voltaram ao normal.
Durante alguns segundos...
O planeta inteiro respirou aliviado.
Então...
Os telescópios espaciais enviaram um alerta.
Algo gigantesco havia surgido muito além da órbita de Plutão.
Não era um planeta.
Nem um cometa.
Nem uma nave.
Era grande demais.
Muito maior que qualquer objeto artificial já imaginado.
Sua forma lembrava...
Um enorme olho.
Voltado para o Sistema Solar.
Na central de controle...
O silêncio era absoluto.
Sophia observava os primeiros cálculos.
Sua voz saiu quase como um sussurro.
— Samuel...
Eles não estavam nos observando...
Samuel permaneceu imóvel.
Sem desviar os olhos da tela.
— Não...
Eles estavam olhando para aquilo.
Na tela principal surgiu uma única transmissão.
Nenhuma imagem.
Apenas uma frase.
OS OBSERVADORES SOLICITAM SILÊNCIO.
ELES NOS ENCONTRARAM.
Continua...
Capítulo 5 – A Sala 17
Capítulo 4 – O Projeto HELLO
Capítulo 3 - A Jornalista e os Arquivos Secretos
Capítulo 2 - A Mensagem de Marte
Capítulo 1 - O Homem do Banco da Praça

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