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O Enigma da Estação Espacial: Capítulo 10 – A Primeira Cidade

"Toda civilização acredita ser o começo da história... até descobrir que é apenas um capítulo dela."

A escuridão desapareceu.

Joe abriu os olhos lentamente.

Já não estava diante dos Observadores.

Estava em Kodeshipur.

O chão parecia cristal, mas não era frio.

Sob seus pés, rios de luz percorriam caminhos invisíveis, como se a própria cidade estivesse viva.

À sua frente erguiam-se torres que pareciam crescer em direção ao infinito.

Nenhuma delas possuía janelas.

Nem portas.

Mesmo assim, transmitiam uma sensação acolhedora.

O céu não era céu.

Era formado por um tecido luminoso onde galáxias inteiras surgiam e desapareciam como ondas sobre um oceano.

Joe respirou profundamente.

— Isto... é real?

A voz do Observador respondeu ao seu lado.

— Mais real do que qualquer lugar que conheceu.

Joe caminhou alguns passos.

Não havia veículos.

Não havia multidões.

Mesmo assim, sentia milhões de presenças.

Como se cada parte da cidade estivesse consciente.

Então percebeu algo extraordinário.

As árvores brilhavam.

Suas folhas eram feitas de pequenas partículas de luz.

Quando o vento passava, produziam sons suaves.

Não eram sons aleatórios.

Pareciam vozes.

Milhares delas.

Joe fechou os olhos.

Por um instante, teve a impressão de ouvir idiomas desconhecidos.

Outros pareciam incrivelmente familiares.

Como se todas as línguas da história estivessem guardadas ali.

— O que são?

— Memórias.

Joe olhou surpreso.

— Memórias?

— Cada civilização que alcança determinado nível de consciência deixa aqui parte de sua história.

Joe observou novamente aquelas árvores.

Percebeu que nenhuma era igual à outra.

Cada uma representava um mundo.

Algumas eram gigantescas.

Outras, pequenas.

Algumas brilhavam intensamente.

Outras estavam quase apagadas.

— Elas... morreram?

O Observador permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— Algumas encontraram equilíbrio.

Outras desapareceram.

Joe compreendeu o significado daquela resposta.

Nem toda inteligência sobrevivia ao próprio poder.

Continuaram caminhando.

No horizonte surgiu uma praça colossal.

No centro havia uma esfera transparente com quilômetros de altura.

Dentro dela...

Joe viu milhares de estrelas.

Depois percebeu.

Não eram estrelas.

Eram planetas.

Cada ponto luminoso representava um mundo habitado.

— Quantos existem?

— Mais do que sua espécie seria capaz de contar.

Joe permaneceu em silêncio.

Toda a humanidade sempre imaginara estar sozinha.

Agora descobria que era apenas uma entre incontáveis civilizações.

Então uma nova pergunta surgiu.

— A Terra faz parte desta cidade?

O Observador respondeu calmamente.

— Ainda não.

Joe olhou para ele.

— Ainda?

— Cada mundo escolhe seu próprio destino.

Alguns chegam até aqui.

Outros jamais conseguem.

O coração de Joe acelerou.

Então percebeu algo estranho.

No alto da praça havia dezenas de figuras humanas.

Algumas conversavam.

Outras observavam o universo.

Outras caminhavam serenamente.

Joe arregalou os olhos.

— Humanos?

O Observador confirmou.

— Sim.

Joe começou a correr.

Quanto mais se aproximava, mais reconhecia seus rostos.

Eram pessoas desaparecidas.

A professora.

O agricultor.

A médica.

O músico.

A menina.

Todos estavam vivos.

Nenhum demonstrava medo.

Nenhum parecia prisioneiro.

Quando Joe chegou perto, uma mulher sorriu.

— Você finalmente chegou.

Joe ficou imóvel.

Jamais a havia visto.

Mesmo assim...

Ela parecia conhecê-lo.

— Quem é você?

Ela respondeu tranquilamente.

— Meu nome não importa mais.

Importa aquilo que estamos construindo.

Joe olhou ao redor.

As pessoas trabalhavam juntas.

Estudavam.

Criavam.

Aprendiam com seres de diferentes formas e origens.

Não existiam soldados.

Não existiam governantes.

Nem dinheiro.

Nem disputas.

Apenas colaboração.

Joe voltou-se para o Observador.

— Então era isso?

— Não.

— Eles não foram trazidos para serem salvos.

Joe franziu a testa.

— Foram convidados.

Antes que Joe pudesse fazer outra pergunta, um som profundo ecoou por toda Kodeshipur.

As árvores luminosas silenciaram.

A enorme esfera da praça apagou-se lentamente.

Os Observadores curvaram levemente a cabeça.

Algo estava chegando.

Pela primeira vez...

Joe viu os Observadores demonstrarem respeito.

No horizonte, uma única luz surgiu.

Muito maior do que todas as outras.

Ela aproximava-se lentamente da cidade.

Joe sentiu que estava prestes a conhecer alguém diante de quem até os Observadores permaneciam em silêncio.

E compreendeu que Kodeshipur...

Não era o fim da jornada.

Era apenas o começo.

Continua...

Próximo capítulo: Capítulo 11 - O Conselho dos Anciãos de Kodeshipur


Capítulos anteriores:

Capítulo 9 - O Contato
Capítulo 8 - Os Desaparecidos
Capítulo 7 - O Despertar dos Observadores
Capítulo 6 - Os Observadores
Capítulo 5 - A Sala 17
Capítulo 4 - O Projeto HELLO
Capítulo 3 - A Jornalista e os Arquivos Secretos
Capítulo 2 - A Mensagem de Marte
Capítulo 1 - O Homem do Banco da Praça

O Enigma da Estação Espacial: Capítulo 10 – A Primeira Cidade
O Enigma da Estação Espacial: 
Capítulo 10 – A Primeira Cidade

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