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PROJETO ÊXODO: Capítulo 2 - Os Passageiros

O homem acordou com o som de uma porta se fechando.

Abriu os olhos lentamente.

Por alguns segundos, não conseguiu entender onde estava.

O teto era branco.

As paredes também.

Não havia janelas.

Apenas uma lâmpada embutida no teto, emitindo uma luz fria e constante.

Tentou se levantar.

Não conseguiu.

Seus braços estavam presos por faixas largas.

As pernas também.

Sentiu o coração acelerar.

— Tem alguém aí?

Sua voz ecoou pelo pequeno espaço.

Nenhuma resposta.

Tentou lembrar o que havia acontecido.

Estava dirigindo.

Tinha saído do trabalho mais tarde que o habitual.

Lembrava-se de ter parado em um posto de combustível.

Depois...

Nada.

Daniel fechou os olhos.

Forçou a memória.

Havia alguém próximo ao carro.

Uma voz.

Talvez uma batida no vidro.

Depois uma luz muito forte.

E então...

Nada.

A lembrança terminava ali.

A porta se abriu.

Dois homens entraram.

Usavam roupas escuras, sem identificação.

Um deles segurava uma pequena prancheta eletrônica.

— Identificação confirmada.

O outro aproximou-se.

— Nome?

Daniel permaneceu em silêncio.

— Seu nome?

— Daniel.

O homem consultou a tela.

— Daniel Ferreira. Quarenta e dois anos.

Daniel tentou se mexer.

— Onde estou?

Nenhum dos dois respondeu.

— Por que estou aqui?

O homem da prancheta fez uma anotação.

— Apresenta resistência verbal.

— O que vocês querem de mim?

O segundo homem aproximou-se.

— Você foi selecionado.

Daniel sentiu um frio no estômago.

— Selecionado para quê?

O homem não respondeu.

A porta se fechou novamente.

Daniel permaneceu imóvel.

Do outro lado, ouviu vozes.

Muitas vozes.

Algumas pessoas choravam.

Outras gritavam.

Alguém bateu desesperadamente contra uma porta.

Depois...

Silêncio.

O corredor era comprido.

Dezenas de pessoas caminhavam em fila.

Algumas ainda estavam confusas.

Outras pareciam sedadas.

Havia homens e mulheres de diferentes idades.

Ninguém conversava.

Os poucos que tentavam fazer perguntas eram imediatamente silenciados.

Um funcionário observava tudo através de um vidro.

— Quantos?

A mulher ao seu lado consultou o tablet.

— Cento e vinte e oito nesta ala.

— E os demais?

— Já foram transferidos.

Ele olhou para o relógio.

— O transporte?

— Aguardando.

— Quantos veículos?

— Oito.

O homem assentiu.

— Então podemos começar.

Naquela mesma manhã, Marcus acordou antes do despertador.

Sentou-se na cama.

Ficou alguns segundos olhando para a parede.

O sonho ainda estava presente.

Os ônibus.

A estrada.

A fila interminável.

E aquela sensação de que alguma coisa estava prestes a acontecer.

Levantou-se.

Foi até a pequena mesa de estudos.

A folha que Benício havia guardado na gaveta estava sobre o tampo.

Marcus ficou olhando para o desenho.

A fila de ônibus desaparecia no horizonte.

Pegou um lápis.

Acrescentou mais um veículo.

Depois outro.

Parou.

Apagou um deles.

Desenhou uma porta aberta.

Ficou observando.

Então escreveu, no canto inferior da folha:

Eles estão chegando.

Marcus ouviu passos no corredor.

Fechou rapidamente o caderno.

A porta abriu.

— Bom dia, filho.

Benício apareceu segurando duas xícaras.

— Dormiu bem?

Marcus fez que sim.

— Sonhou?

O menino hesitou.

— Um pouco.

Benício colocou uma das xícaras sobre a mesa.

— Quer me contar?

Marcus olhou para o desenho.

— Ainda não.

Benício percebeu que havia alguma coisa diferente.

Mas não insistiu.

Aprendera que algumas respostas precisavam de tempo.

— Vamos nos arrumar. Temos consulta hoje.

Marcus levantou-se.

Antes de sair, voltou à mesa.

Pegou o desenho.

Dobrou cuidadosamente.

Guardou dentro da mochila.

A NEXGEN ficava a poucos quilômetros dali.

Décadas antes, aquele lugar havia começado como uma pequena Clínica Multiprofissional.

Seus fundadores tinham uma ideia simples e, para a época, revolucionária:

compreender melhor as pessoas neurodivergentes e ajudá-las a viver com mais autonomia, conforto e qualidade de vida.

O antigo Projeto Escuta fazia parte dessa visão.

Mas os fundadores morreram.

E, depois deles, a organização mudou.

A pequena clínica cresceu.

Novas unidades foram abertas.

Hospitais foram construídos.

Laboratórios surgiram.

Vieram centros de pesquisa, empresas de tecnologia, inteligência artificial, biotecnologia e neurociência.

A NEXGEN tornou-se uma multinacional.

Poucas pessoas ainda lembravam por que ela havia sido criada.

Menos pessoas ainda compreendiam o significado original do Projeto Escuta.

Para a nova geração de dirigentes, neurodivergência era apenas uma categoria em relatórios.

Um conjunto de dados.

Uma variável.

Uma oportunidade de mercado.

A antiga filosofia havia desaparecido.

Os arquivos, não.

O prédio que Marcus conhecia como clínica agora fazia parte de um gigantesco complexo da NEXGEN.

A fachada principal era uma torre de vidro.

Grandes painéis exibiam imagens de cérebros, redes neurais e interfaces digitais.

No centro da entrada havia uma frase:

NEXGEN — O FUTURO DA HUMANIDADE COMEÇA DENTRO DE NÓS.

Benício estacionou.

Marcus ficou alguns segundos olhando para o prédio.

— Pai...

— O quê?

— Eu não gosto daqui.

Benício olhou para ele.

— Da clínica?

Marcus assentiu.

— Por quê?

O menino demorou para responder.

— Ela faz muito barulho.

Benício sorriu.

— Mas você está usando os fones.

Marcus continuou olhando para o prédio.

— Não é esse barulho.

Benício não entendeu.

— Então qual?

Marcus baixou os olhos.

— O outro.

Entraram.

Na recepção, tudo parecia normal.

Funcionários circulavam pelos corredores.

Pais aguardavam consultas.

Crianças brincavam nos espaços destinados às terapias.

Terapeutas conversavam.

Médicos analisavam prontuários.

— Boa tarde, senhor Pereira.

A recepcionista reconheceu Benício.

— Marcus tem terapia ocupacional às duas.

— Obrigado.

Marcus permaneceu parado.

Observava as pessoas.

Então virou a cabeça.

Um funcionário passou pelo corredor empurrando uma pequena caixa metálica.

Marcus acompanhou o objeto com os olhos.

O funcionário percebeu.

Por um instante, os dois se olharam.

O homem continuou andando.

Marcus segurou o braço do pai.

— Vamos.

Benício estranhou.

— Tudo bem?

Marcus assentiu.

Mas continuou olhando para o corredor vazio.

Enquanto Marcus entrava na sala de terapia, Benício sentou-se na área de espera.

Pegou o celular.

Uma notícia chamou sua atenção.

NEXGEN inaugura novo centro internacional de pesquisa neural.

Benício leu rapidamente.

O artigo mencionava investimentos bilionários em inteligência artificial, neurotecnologia e interfaces cérebro-computador.

Também falava sobre novos contratos internacionais e parcerias estratégicas.

Ele franziu a testa.

Nunca havia pensado muito sobre o tamanho que a NEXGEN havia alcançado.

Para ele, continuava sendo apenas a clínica onde Marcus fazia tratamento.

Guardou o celular.

Na sala de terapia, Marcus desenhava.

A terapeuta aproximou-se.

— O que você está desenhando?

Marcus não respondeu.

— Posso ver?

Ele virou a folha.

Era uma estrada.

Havia dezenas de ônibus.

A terapeuta observou.

— Você gosta muito de ônibus?

Marcus continuou desenhando.

— Eles estão levando as pessoas.

— Para onde?

O lápis parou.

Marcus olhou para ela.

— Para longe.

— Você já esteve nesse lugar?

Ele balançou a cabeça.

— Não.

— Então como sabe que existe?

Marcus olhou novamente para o desenho.

— Porque eles estão indo.

A terapeuta não soube o que responder.

Naquela tarde, Helena estava em outra parte do complexo.

Havia passado os últimos dias revisando os arquivos deixados por Augusto.

Desde que encontrara a mensagem no antigo laboratório, não conseguia afastar uma pergunta da cabeça.

“Quando o Eco terminar... começará o Êxodo.”

A princípio, pensou que fosse apenas uma referência ao futuro.

Depois percebeu que poderia ser uma instrução.

Ou um aviso.

Ou ambos.

Por isso começou a comparar os arquivos antigos do Projeto Escuta com documentos recentes da NEXGEN.

Quanto mais pesquisava, mais desconfortável ficava.

Havia lacunas.

Projetos sem documentação.

Pesquisas encerradas sem explicação.

Transferências de arquivos.

Laboratórios que oficialmente não existiam.

E, principalmente, registros neurais recentes vinculados a protocolos que não reconhecia.

Helena abriu uma pasta.

PROJETO ESCUTA — REGISTROS NEURAIS

Passou várias páginas.

Nomes.

Datas.

Observações.

Desenhos.

Análises.

Até encontrar um registro recente.

Muito recente.

Ela franziu a testa.

Abriu o documento.

O nome apareceu na tela.

MARCUS BENÍCIO PEREIRA

Helena ficou imóvel.

Voltou ao arquivo anterior.

Conferiu a data.

Depois abriu outro documento.

O mesmo nome.

Dessa vez havia apenas uma observação:

PADRÃO NEURAL: NÃO CLASSIFICADO.

Helena sentiu um arrepio.

Como aquele registro havia chegado ali?

Marcus era filho de Benício.

Benício havia trabalhado diretamente com o Projeto Escuta.

Mas por que o nome do garoto aparecia em arquivos atuais?

Ela continuou procurando.

Encontrou uma segunda linha.

ACOMPANHAMENTO PRIORITÁRIO.

Helena não tocou no teclado.

A tela piscou.

O documento desapareceu.

Ela ficou olhando para o monitor.

Depois fechou lentamente o computador.

Agora tinha certeza de uma coisa.

O Projeto Escuta não havia terminado.

Horas depois, oito ônibus deixavam um complexo cercado por muros altos.

Nenhum possuía identificação.

As janelas eram escuras.

Dentro de cada veículo, dezenas de pessoas permaneciam sentadas.

Algumas estavam dormindo.

Outras olhavam para o chão.

Ninguém sabia o destino.

O primeiro ônibus avançou.

O segundo veio logo atrás.

Depois o terceiro.

Todos mantendo exatamente a mesma distância.

Um funcionário observava a fila através de uma tela.

— Transporte iniciado.

Outra voz respondeu pelo rádio.

— Confirmado.

— Todos os indivíduos?

— Todos.

O funcionário consultou os dados.

— Quantos?

— Mil duzentos e quarenta e sete.

Ele fez uma pausa.

— E os demais?

— Ainda estão sendo selecionados.

Daniel estava sentado no terceiro ônibus.

Ainda tentava lembrar como havia chegado ali.

A memória permanecia quebrada.

O posto de combustível.

A luz.

Depois nada.

Olhou pela janela.

A cidade desaparecia lentamente.

Tentou chamar alguém.

Ninguém respondeu.

Uma mulher sentada duas fileiras à frente chorava em silêncio.

Um homem segurava uma fotografia.

Uma criança dormia apoiada no ombro da mãe.

Daniel percebeu algo estranho.

Ninguém perguntava para onde estavam indo.

Talvez estivessem cansados demais.

Talvez tivessem medo.

Ou talvez...

Todos soubessem que perguntar não faria diferença.

O ônibus continuou avançando.

No fim da tarde, Marcus terminou a terapia.

Benício o encontrou no corredor.

— Vamos para casa?

Marcus assentiu.

No caminho até o estacionamento, passou novamente pelo corredor onde havia visto a caixa metálica.

Agora estava vazio.

Mesmo assim, Marcus parou.

Olhou para a parede.

Depois para o teto.

— Marcus?

Ele voltou a caminhar.

— Vamos.

No carro, Benício ligou o rádio.

Uma notícia chamou sua atenção.

“A polícia investiga o desaparecimento de três pessoas nas últimas quarenta e oito horas.”

Benício abaixou o volume.

Marcus olhava pela janela.

Um ônibus passou ao lado.

Depois outro.

Depois mais um.

O menino acompanhou o último até desaparecer.

— Pai.

— Hum?

— Eles estão aumentando.

Benício olhou para ele pelo retrovisor.

— Quem?

Marcus não respondeu.

Naquela noite, Helena permaneceu sozinha no antigo arquivo subterrâneo da NEXGEN.

Encontrara uma caixa que não aparecia no sistema digital.

O material era antigo.

Muito antigo.

Na tampa havia apenas uma palavra:

ESCUTA.

Helena abriu.

Dentro estavam documentos escritos pelos fundadores da antiga clínica.

Ela começou a ler.

As primeiras páginas falavam sobre percepção sensorial.

Depois, comunicação.

Processamento de informações.

Diferenças individuais.

Um dos documentos dizia:

“Nenhum modelo único poderá representar toda a diversidade neurológica humana.”

Helena parou.

Leu novamente.

Então entendeu.

Os fundadores já sabiam.

A NEXGEN havia esquecido.

Ela continuou procurando.

No fundo da caixa havia uma folha diferente.

Não era um relatório.

Era um desenho.

Um círculo azul.

Helena segurou o papel.

Por alguns segundos, teve a sensação de que já havia visto aquilo antes.

No laboratório.

Nos desenhos de Marcus.

E agora...

Nos arquivos da NEXGEN.

Muito longe dali, os ônibus atravessaram um portão gigantesco.

Um por um.

O portão se fechou depois que o último entrou.

Lá dentro havia um complexo subterrâneo.

Os passageiros foram retirados.

Conduzidos por corredores.

Separados.

Identificados.

Preparados.

No centro da instalação existia uma enorme sala circular.

No meio dela havia uma estrutura metálica.

Ninguém sabia exatamente como funcionava.

Os técnicos haviam recebido instruções para não desmontá-la.

Não deveriam modificar seus componentes.

Não deveriam tentar reproduzir seu funcionamento.

Apenas operar.

Um dos técnicos aproximou-se do equipamento.

— A primeira etapa foi concluída.

Outro observou a tela.

— Todos os indivíduos foram transferidos.

— E agora?

A tela permaneceu escura.

Então uma sequência de caracteres surgiu.

FASE 1 — CONCLUÍDA.

Abaixo:

PREPARAÇÃO PARA A FASE 2 INICIADA.

O técnico permaneceu em silêncio.

— Quando começamos?

A resposta apareceu alguns segundos depois.

QUANDO O NÚMERO FOR SUFICIENTE.

Em uma sala muito distante dali, quatro pessoas estavam sentadas ao redor de uma mesa.

Não havia janelas.

Nenhuma bandeira.

Nenhum símbolo.

Apenas uma tela apagada.

Um dos homens abriu uma pasta.

— A primeira transferência foi concluída.

Uma mulher perguntou:

— Quantos?

— Mil duzentos e quarenta e sete.

— E a seleção continua?

— Sem interrupção.

Outro homem se inclinou para frente.

— Ainda não compreendo por que precisamos de tantos.

Ninguém respondeu.

Até que uma voz tranquila surgiu no fundo da sala.

— Porque não estamos construindo apenas um exército.

Todos olharam para a porta.

O homem que entrou caminhava lentamente.

Cabelos grisalhos.

Postura ereta.

Olhar firme.

Mesmo depois de tantos anos, havia algo nele que fazia a sala inteira silenciar.

Aurélius.

O homem que um dia havia prometido paz ao mundo.

O homem que havia trocado liberdade por segurança.

O homem cujo regime havia caído muitos anos antes.

Para o mundo, Aurélius pertencia ao passado.

Mas o passado havia voltado.

Ele caminhou até a mesa.

— Estamos construindo uma alternativa.

Um dos líderes perguntou:

— Alternativa para quê?

Aurélius olhou para a tela.

— Para aquilo que está acontecendo com a humanidade.

Silêncio.

— Eles estão mudando.

— Não sabemos se isso é verdade — respondeu a mulher.

Aurélius virou-se lentamente para ela.

— Sabemos o suficiente.

Ele colocou uma pasta sobre a mesa.

Dentro havia fotografias.

Pessoas desaparecidas.

Relatórios.

Imagens de fenômenos inexplicáveis.

E informações que nenhum governo comum deveria possuir.

— Se permitirmos que esse processo continue — disse Aurélius —, deixaremos de decidir o nosso próprio futuro.

O homem sentado à sua frente perguntou:

— E qual é a alternativa?

Aurélius respondeu sem hesitar:

— Controle.

Ninguém contestou.

Ele continuou:

— A humanidade não pode ser entregue a forças que não compreendemos.

Uma pausa.

— Precisamos preservar aquilo que somos.

Naquele momento, Aurélius acreditava sinceramente em suas próprias palavras.

Não sabia que alguém havia colocado aquelas informações diante dele.

Não sabia que suas certezas haviam sido cuidadosamente alimentadas.

Não sabia que sua luta contra a evolução estava sendo conduzida por uma força que desejava algo muito maior.

E certamente não sabia que, em algum lugar além daquela sala...

alguém estava observando.

Naquela mesma noite, Marcus estava sentado em sua cama.

A casa permanecia silenciosa.

Benício dormia no quarto ao lado.

Marcus abriu o caderno.

Desenhou um ônibus.

Depois outro.

Depois outro.

Mas dessa vez não desenhou uma fila.

Desenhou uma estrada vista de cima.

No final dela havia um enorme círculo.

Pegou o lápis azul.

Preencheu o círculo.

Parou.

Do outro lado da casa, Benício acordou.

Sentou-se na cama.

Por alguns segundos, ouviu apenas o silêncio.

Então percebeu.

Um som distante.

Muito baixo.

Quase imperceptível.

Vrrrrrrrrrrrr...

Benício levantou-se.

Foi até a janela.

A rua estava vazia.

Nenhum veículo passava.

Mesmo assim, o som continuava.

Marcus também estava de pé diante da janela.

Os dois se olharam através do corredor.

— Pai...

Benício caminhou até ele.

— Você está ouvindo?

Marcus assentiu.

O som aumentou.

Não parecia um motor.

Parecia centenas deles.

Funcionando juntos.

Sincronizados.

Benício abriu a janela.

O som desapareceu.

Silêncio.

Marcus olhou para o céu.

— Eles chegaram?

Benício não respondeu.

Porque, naquele instante, muito longe dali...

Uma fila de ônibus atravessava uma estrada escura.

E ninguém dentro deles sabia que aquela viagem era apenas o começo.

Continua...

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Capítulo 2 — Os Passageiros

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